A possibilidade de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se candidatar em 202 deu novo impulso ao discurso do presidente Jair Bolsonaro de que está numa cruzada contra o PT, a esquerda e a corrupção. A narrativa que elegeu Bolsonaro em 2018 vinha perdendo a força diante do desgaste do mandato e pela crise da pandemia da Covid-19, mas, na avaliação de interlocutores do governo, é novamente impulsionada pela reviravolta causada pela decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que anulou as condenações de Lula na Lava-Jato, o que o tornou elegível novamente.

Apesar de ter criticado a decisão monocrática de Fachin, Bolsonaro viu na decisão a chance também de sair do foco das críticas e voltar ao ataque. Aliados do clã Bolsonaro avaliam que a elegibilidade de Lula dá uma cara ao “inimigo” e reforça o discurso de que o “ameaça comunista” está viva, o que entusiasma a militância numa luta de “bem contra o mal” nas redes sociais, onde o bolsonarismo vinha perdendo espaço. Integrantes do governo também acreditam que Bolsonaro saberá tirar proveito da situação.