O governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), anunciou, durante live na manhã desta terça-feira (09), que as aulas da rede estadual serão de forma remota – e não mais híbrida como havia sido definido. Além disso, anunciou a adesão de MS ao pacto nacional de governadores para implementar uma série de medidas para conter o avanço da Covid-19 de forma uniforme no país.

Assim, não há previsão para o retorno presencial dos alunos nas escolas. “Voltaremos quando a ciência e saúde puder nos orientar que tenhamos segurança”, pontuou o governador, complementando que a recomendação para a medida partiu do COE (Comitê de Operações Emergenciais).

Então, a partir de quarta-feira (10), os alunos da rede estadual passarão a ter aulas 100% online, como estava sendo feito no ano passado. A volta às aulas começou no dia 1º de março, sendo que o retorno de forma híbrida estava previsto para ocorrer a partir de abril. 

A secretária de educação, Maria Cecília de Amendola Motta, participou da live e disse que os alunos não serão prejudicados. “Temos 17 mil turmas cadastradas no Google Classroom, Youtube com aulas prontas, TVE que vai passar aulas e escolas com material impresso”, informou.

Além disso, a secretária pontuou que os esforços da educação vão continuar para atender a todos. “Ano letivo não vai parar, a escola estará aberta para atendimento aos alunos, a sala de informática estarão abertas, terá professor atendendo alunos com dificuldade de aprendizagem”, declarou.

Pacto entre estados

 

O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) anunciou hoje (9) que aderiu ao Pacto Nacional de Contenção da Covid-19, bloco que agora conta com 24 estados e o Distrito Federal. O movimento antagoniza com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nas ações de enfrentamento à pandemia.

Azambuja protelou a decisão de se juntar à maioria das federações. Na semana passada, inclusive, havia se recusado a assinar carta-resposta de governadores a Bolsonaro, que, na ocasião, tratou repasses constitucionais aos estados como concessões ou favores de seu governo.

Com a mudança de postura, o tucano volta a se alinhar à conjuntura nacional de seu partido. Os governadores de São Paulo e Rio Grande do Sul, respectivamente João Dória e Eduardo Leite, integram o pacto e disputam internamente o posto de adversário de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. Dória, inclusive, costuma ser mais incisivo nas críticas ao presidente e protagonizou com ele uma corrida pela vacinação contra a covid-19.

Além disso, Reinaldo se recoloca na oposição ao presidente da República ao aderir ao bloco. O chefe do Executivo de Mato Grosso do Sul chegou a ser o porta-voz dos governadores em reunião com Bolsonaro sobre o socorro aos estados – então travado –, no primeiro semestre do ano passado.

Tratado com medidas conjuntas deve sair até domingo
O Fórum Nacional dos Governadores planeja publicar um tratado até o dia 14 de março, com medidas conjuntas para frear contaminações e mortes pela covid-19. O grupo se apoia em decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), que reconheceu a competência dos governos estaduais para iniciativas de enfrentamento à pandemia, como a compra de vacinas.

O movimento dos governadores é visto como um contraponto ao Palácio do Planalto. É sabido que o governo federal chegou a recusar ofertas de laboratórios produtores de imunizantes contra a covid-19, como da Pfizer. Além disso, Bolsonaro costuma minimizar os impactos da pandemia e já defendeu o uso de medicamentos inócuos para tratar pacientes da doença.

 

Secretário de Saúde nega conflito com Bolsonaro

O titular da SES (Secretaria de Estado de Saúde), o também tucano Geraldo Resende, nega viés político na frente de governadores e não acredita que a relação do governo de Mato Grosso do Sul com o federal sofrerá abalos.

“Não tem conflito com o governo federal, nenhum dos estados está procurando esse objetivo. O próprio Ministério da Saúde está sendo chamado, há a mediação do Senado, da Câmara dos Deputados. O viés é o de salvar vidas. É um pacto pela Saúde. O mais importante é fugir da politização”, declarou.

O Pacto Nacional de Contenção da Covid-19 nasce no momento mais grave da emergência em Saúde no País. A média móvel de mortes nos últimos sete dias chegou a 1.540 ontem (8), número recorde desde o início da pandemia.