Semear Crotalaria spectabilis nas entrelinhas da cana-soca em áreas colhidas a partir de agosto pode aumentar a produtividade e a longevidade do canavial

Técnica ainda atua no controle de plantas daninhas e pragas e no aporte de nitrogênio e matéria orgânica do solo

Aumentar a produtividade agrícola e a longevidade com tecnologia de baixo custo e com sustentabilidade já pode ser considerada uma realidade no setor. É o que afirma o consultor e engenheiro agrônomo Júlio Campanhão. De acordo com ele, a utilização de Crotalaria spectabilis em cultivo intercalar com a soqueira da cana-de-açúcar no terço final da safra acarreta vários benefícios à cultura.

“Além de ganhos em produtividade - que podem chegar a 17% -, longevidade e teor de sacarose, essa técnica atua no controle de plantas daninhas e pragas da cana, no aporte de nitrogênio e matéria orgânica, na melhora da taxa de infiltração de água, auxilia no controle de erosão, recicla nutrientes, incrementa micorrizas no solo, prolonga a umidade no interior do talhão, incrementa a população de inimigos naturais e acelera a decomposição da palhada.”

Campanhão relata que essa técnica pode ser adotada em canaviais colhidos a partir de agosto e que não apresentem certas restrições, como histórico de altas infestações de mamona, mucuna e merremias; alto índice de falhas; 12 meses sem receber herbicida Amicarbazone e/ou 24 meses sem receber herbicida Tebuthiurom.

“Caso não haja esse impedimento, o melhor momento para semear a Crotalaria spectabilis nas entrelinhas da soca da cana-de-açúcar é de 30 a 60 dias após a colheita e quando a cana estiver com 60cm de altura para que não haja competição.”

A semeadura poderá ser realizada com uma plantadora convencional (palha estendida), a lanço (palha aleirada) ou com cultivador/adubador (palha aleirada). Já os tratos culturais da soca que irá receber a semeadura poderá ser feito como de costume (logo após a colheita). A única diferença se dará nos herbicidas a serem aplicados, que deverão ser seletivos. “Clomazone (360/500/800) nas doses utilizadas com parceiros (seca); S-Metolacloro 960 nas doses utilizadas com parceiros (úmida) e Trifluralina nas doses normais para folhas estreitas e Sulfentrazone 500 nas doses de 0,8 a 1,0L são algumas moléculas já testadas e que tiveram resultados satisfatórios.”

Campanhão ressalta que nas áreas colhidas entre 2015 e 2017, todas com palha aleirada e plantio a lanço, a colheita mecânica procedeu normalmente, mesmo sem a dessecação da leguminosa. “A semeadura da Crotalaria spectabilis é realizada de 10 a 11 meses antes da colheita. Em condições normais de clima, a planta completa o ciclo anual (seis meses), seca totalmente, fica quebradiça e não interfere na colheita.”

O profissional conta que novas áreas foram colhidas na última safra, algumas com plantio direto sobre palha estendida, onde a distribuição da planta é diferente (linhas contínuas e em 100% das entrelinhas). “Sistemas de semeadura diferentes associados a climas adversos podem alterar o ciclo da planta. Assim, é melhor realizar a dessecação da mesma no florescimento (2,4 D; Mesotriona 480 + Atrazina 500/880), até que se defina em qual situação a Crotalaria spectabilis deve ou não ser dessecada.”

Campanhão salienta que o uso de Crotalaria spectabilis também pode ser uma boa opção de controle de plantas daninhas em boca de rua. “Os usuários desta técnica relataram que nas áreas semeadas não houve necessidade de fazer catação química. A leguminosa secou e as ruas continuaram limpas.”

Fonte: CanaOnline