Integrantes da articulação política do Palácio do Planalto viram com “preocupação” a saída do MDB e do DEM do bloco de partidos do Centrão na Câmara, atualmente liderado pelo líder do PP na Casa, deputado Arthur Lira (AL).

A saída das duas siglas do chamado "blocão" foi uma sinalização do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do seu grupo mais fiel de afastamento das demais legendas do Centrão que se aproximaram do Planalto.

“O governo queria rachar a liderança do Centrão entre o Maia e o Lira, não queria rachar o Centrão propriamente dito. O DEM e MDB perceberam isso e racharam o Centrão propriamente dito”, disse à CNN um auxiliar palaciano. 

A avaliação no Planalto é de que o racha no grupo enfraquecerá a liderança de Lira, que vinha atuando como líder informal do presidente Jair Bolsonaro na Câmara e em cujo nome o governo apostava para suceder Maia no comando da Casa em 2021.

Com a saída do MDB e do DEM, o blocão de Lira cairá de 221 para 158 deputados. Os dois partidos que deixaram o grupo deverão atuar em um bloco informal dos independentes, que reúne cerca de 150 deputados de siglas como PSDB, Cidadania e Podemos.

“O governo, de um lado, agora fica numa saia justa se apoiar o Lira para presidência (da Câmara) e ele perder. De outro, ficará também numa saia justa se abandonar o apoio à candidatura do Lira. Se correr o bico pega, se ficar, o bicho come”, diz um assessor do Planalto.