Em casa, em Campo Grande, desde sábado (25), após quatro dias hospitalizado com covid-19 e dengue ao mesmo tempo, o ex-senador da República, Delcídio do Amaral, de 65 anos, resume o que tem passado com as duas doenças. "A gente se sente um farrapo humano".
Delcídio foi diagnosticado com a infecção pelo novo coronavírus no dia 14 de julho, após fazer um teste do tipo RT-PCR, em um laboratório. Tinha passado por uma bateria de exames, e com sintomas leves, cumpria isolamento em casa.
O quadro clínico dele se agravou e no dia 22 foi internado no Hospital Cassems, também na capital sul-mato-grossense. Ao G1, ele disse que se surpreendeu com a piora no estado de saúde. Um dia após a internação, descobriu que também estava com dengue: 'Covengue", brincou.
No sábado Delcídio recebeu alta e segue com o tratamento pelas duas doenças em casa. Aparentemente mais magro, abatido e cansado, ele comentou como está se sentido.
 

"Tenho medicação que me foi passada que eu estou seguindo a risca e fazendo um processo de hidratação muito forte, especialmente por causa da dengue. Estou particularmente muito cansado ainda. Não sei é a mistura da dengue com covid, ou agora mais dengue do que covid, mas são doenças que humilham a gente. A gente vira um farrapo humano. Você tem as forças completamente abaladas. Você se sente um fraco e impotente. É uma coisa assim, inacreditável. Doenças gravíssimas. A gente precisa ficar muito atento".

O médico infectologista Maurício Pompilho explica que uma doença não tem relação com a outra, mas ambas reduzem a defesa do organismo. "Se uma pessoa tem infecção simultânea consecutiva, uma seguida da outra, o seu organismo ainda não se restabeleceu daquela resposta inflamatória e consequentemente a sua capacidade de eliminar o novo agente é menor, podendo ter maior risco".
Ainda segundo o especialista, em regiões com alta incidência das duas doenças, como é o caso de Campo Grande, algumas pessoas podem chegar a confundir os sintomas. "A diferença é respiratório. Caberá ao profissional de saúde avaliar o paciente que apresente um quadro atípico de dengue ou de coronavírus, investigar outras possibilidades e consequentemente chegar ao diagnóstico de outra infecção".