Três Lagoas
Líderes do comando vermelho que estariam ordenando ataques de dentro da prisão, são transferidos para presídio federal de Mossoró
Líderes do Comando Vermelho que estariam ordenando ataques de dentro da prisão são transferidos para presídio federal
Investigação da Polícia Civil aponta que dupla, mesmo presa em Cuiabá, continuava exercendo função de comando e teria determinado pelo menos três ataques em Três Lagoas.
Dois homens apontados pela Polícia Civil como lideranças do Comando Vermelho (CV) foram transferidos da Penitenciária Central de Cuiabá, em Mato Grosso, para a Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, após uma investigação identificar que eles continuariam exercendo influência sobre integrantes da organização criminosa mesmo estando presos.
Os investigados são Bruno Rafael da Conceição e Bruno Jorge da Silva. Segundo as investigações conduzidas pela Polícia Civil de Três Lagoas, os dois são suspeitos de ocupar posições de liderança dentro da facção e de atuar como mandantes de pelo menos três ataques registrados em Três Lagoas, no contexto da disputa entre o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Ordens partiriam de dentro da penitenciária
O que chamou a atenção dos investigadores foi o fato de a prisão dos suspeitos não ter interrompido, segundo a apuração policial, a capacidade de comando da dupla.
Os elementos reunidos pela Polícia Civil indicam que os dois continuavam mantendo contato e influência sobre integrantes que estavam em liberdade, recebendo informações e transmitindo determinações relacionadas a ações criminosas.
A investigação apontou ainda que parte das ordens estaria relacionada à sequência de ataques registrada em Três Lagoas durante o período de intensificação da disputa entre as duas principais facções criminosas.
Série de ataques colocou Três Lagoas no centro da investigação
A escalada da violência começou a chamar atenção das forças de segurança especialmente entre 30 de abril e 3 de maio, quando Três Lagoas registrou uma sequência de homicídios e tentativas de homicídio.
Em um dos episódios, um homem de 27 anos foi preso suspeito de envolvimento em um homicídio qualificado e duas tentativas de homicídio. A investigação daquele período também apontava possível relação dos crimes com a atuação de facções rivais.
Outro episódio de grande repercussão ocorreu na noite de 3 de maio, quando Kailayne Mirele Esperidião, de 19 anos, foi assassinada a tiros enquanto trabalhava em uma barraca de lanches. O namorado dela, Gabriel dos Santos Souza, de 18 anos, também foi baleado e morreu posteriormente.
Em 2 de maio, Pedro Augusto Otaviano dos Santos, conhecido como “Cabelinho”, também foi morto a tiros no bairro Vila Nova. Outro homem que estava no local foi baleado.
Os crimes passaram a ser analisados dentro de um contexto mais amplo de disputa entre organizações criminosas.
Operação Janus aprofundou investigação
Em julho, a Polícia Civil de Três Lagoas deflagrou a Operação Janus, voltada à identificação e prisão de integrantes de organizações criminosas envolvidas em homicídios, tentativas de homicídio e outros crimes relacionados à disputa entre facções.
A operação alcançou Três Lagoas e Paranaíba, em Mato Grosso do Sul, além de Rondonópolis e Cuiabá, em Mato Grosso, incluindo unidades prisionais. Ao todo, 14 pessoas foram presas, segundo as informações divulgadas sobre a operação.
A investigação ajudou a revelar que a estrutura criminosa não estava limitada às ruas: havia suspeita de participação e articulação de integrantes que já estavam presos.
Transferência para Mossoró
Diante dos indícios de que Bruno Rafael da Conceição e Bruno Jorge da Silva continuavam exercendo funções de comando, a Polícia Civil representou pela inclusão dos dois no Sistema Penitenciário Federal.
O pedido recebeu parecer favorável do Ministério Público de Mato Grosso do Sul e foi posteriormente autorizado pela Justiça Federal. Os dois foram então transferidos para a Penitenciária Federal de Mossoró, unidade de segurança máxima.
De acordo com a Sejusp, a medida considerou a elevada periculosidade atribuída aos investigados e a avaliação de que a custódia em Mato Grosso não era suficiente para impedir a continuidade de sua atuação criminosa.
Medida é considerada inédita para Mato Grosso do Sul
A transferência tem ainda um caráter inédito para o Estado.
Segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública, esta é a primeira vez que um pedido formulado por Mato Grosso do Sul resulta na transferência direta para o Sistema Penitenciário Federal de presos que estavam sob custódia de outro sistema penitenciário estadual.
A Sejusp informou que o caso deverá servir como referência para situações semelhantes: quando integrantes de organizações criminosas continuarem determinando ataques, homicídios ou outras ações criminosas contra o Estado mesmo estando presos em outra unidade da Federação, as forças de segurança poderão buscar a inclusão desses presos no sistema federal.
Guerra entre facções segue sob investigação
A transferência dos dois investigados não encerra as investigações. A Polícia Civil continua apurando a participação de outros integrantes das organizações criminosas e a relação entre os diferentes episódios de violência registrados em Três Lagoas.
A apuração busca identificar não apenas quem executava os ataques, mas também quem ocupava posições de comando, como as ordens eram transmitidas e quais crimes estariam relacionados à disputa entre as facções.
Os nomes de Bruno Rafael da Conceição e Bruno Jorge da Silva aparecem, até o momento, como investigados e apontados pela Polícia Civil como lideranças do Comando Vermelho. A responsabilidade criminal individual deverá ser definida pela Justiça.
Crédito Conexão PG News





