Técnico de enfermagem é preso por matar pacientes


Pelo menos três mortes já foram confirmadas pela Polícia Civil. Outras duas técnicas de enfermagem também foram presas e são investigadas por participação nos crimes ocorridos dentro do Hospital Anchieta, em Taguatinga.

Um caso de extrema gravidade chocou o Distrito Federal e o Entorno. A Polícia Civil prendeu o técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, acusado de assassinar pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga.

Até o momento, três mortes foram confirmadas, todas provocadas por meio da administração proposital de medicamentos em doses elevadas. As investigações também levaram à prisão das técnicas de enfermagem Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos, e Amanda Rodrigues de Sousa, de 28.

Segundo a apuração, os crimes ocorreram entre novembro e dezembro de 2025 e vieram à tona após alertas da Comissão de Óbitos do hospital.

VÍTIMAS IDENTIFICADAS

As vítimas confirmadas até agora são:

- João Clemente, 63 anos, servidor da Caesb;

- Marcos Moreira, 33 anos, servidor dos Correios;

- Uma professora de 75 anos, cuja identidade não foi divulgada.

De acordo com a Polícia Civil, todos estavam acamados, sedados e sem qualquer condição de defesa, não tendo conhecimento sobre as substâncias que lhes eram administradas.

TENTATIVA DE DISFARCE

A investigação aponta que, após aplicar os medicamentos, o técnico aguardava a reação dos pacientes, que sofriam parada cardíaca. Em seguida, ele realizava manobras de reanimação na presença de outros profissionais, numa tentativa de simular atendimento de emergência e ocultar os homicídios.

Em um dos casos, ao não conseguir provocar a morte apenas com medicamentos, o suspeito teria recorrido a outra substância hospitalar aplicada diretamente na veia da paciente, acelerando o óbito.

PERFIS E HISTÓRICO

Nas redes sociais, Marcos se apresentava como casado e frequentador da igreja Congregação Cristã Brasil. Ele atuava há cerca de cinco anos como técnico de enfermagem, sendo um deles no Hospital Anchieta, além de cursar fisioterapia.

Após ser demitido da unidade onde surgiram as suspeitas, chegou a atuar em outra instituição particular, inclusive na UTI neonatal, o que gerou ainda mais preocupação entre os investigadores.

Amanda trabalhava em outro setor do hospital, mas mantinha amizade antiga com o acusado. Já Marcela era recém-contratada e recebia orientações diretas do técnico sobre os procedimentos do setor.

HOMICÍDIO DOLOSO

Os três serão indiciados por homicídio doloso qualificado, praticado por meio insidioso — quando há dissimulação e impossibilidade de defesa da vítima.

A pena prevista varia de 12 a 30 anos de prisão.

- Marcos responderá por três homicídios consumados;

- Marcela e Amanda responderão por coautoria em dois casos, já que não estavam presentes em uma das ocorrências.

INVESTIGAÇÃO SEGUE EM ANDAMENTO

A investigação é conduzida pela Coordenação de Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP), que agora analisa outros 20 atestados de óbito, para apurar se o grupo pode estar envolvido em novas mortes ocorridas na unidade hospitalar.

A Polícia Civil não descarta que o número de vítimas seja ainda maior.