O presidente Jair Bolsonaro (PL) elogiou nesta terça-feira (4) o ex-ministro da Justiça Sergio Moro, senador eleito pelo União Brasil no Paraná, e disse que o desentendimento que teve com o ex-juiz da Lava Jato está "superado".

Antes da declaração de Bolsonaro, Sergio Moro anunciou apoio ao presidente no segundo turno da eleição presidencial.

Quando Bolsonaro assumiu o mandato, em 2019, nomeou o ex-juiz da Lava Jato para ser ministro da Justiça. Em abril de 2020, Sergio Moro deixou o governo acusando o presidente de tentar interferir na Polícia Federal – instituição subordinada ao Ministério da Justiça.

Na ocasião, Bolsonaro acusou Moro de condicionar uma troca no comando da PF a uma indicação do ex-juiz a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

Nesta terça-feira, o candidato do PL à reeleição disse que conversou por telefone com Sergio Moro e disse ter "certeza de que Sergio Moro será um grande senador".

"Olha só, todos nós evoluímos. Eu mesmo errei no passado em alguns pontos, e a gente evolui para o bem do nosso Brasil. Eu não posso querer impor a minha agenda pessoal. O Cláudio Castro [governador reeleito do Rio] mesmo já interferiu em algum momento conversando como devia me reposicionar em algum momento. Então erramos, pedimos desculpas. Não temos compromisso com erro e nós vamos evoluir", disse.

O presidente deu a declaração durante entrevista no Palácio do Planalto e também afirmou que quer ter "um novo relacionamento" com o ex-juiz.

"Tá superado tudo. E daqui pra frente é um novo relacionamento. Ele pensa, obviamente, no Brasil e quer fazer um bom trabalho para o seu país e para o seu estado. Então, passado é do passado, não tem contas a ajustar. Nós temos é que, cada vez mais, nos entendermos pra melhor servimos a nossa pátria", declarou Bolsonaro.

O candidato do PL disse ainda desconhecer algo que seja "desabonador" que o permita criticar Sergio Moro e o ex-coordenador da força-tarefa da Lava Jato Deltan Dallagnol. O ex-procurador foi eleito deputado federal pelo Paraná e também declarou apoio a Bolsonaro no segundo turno.

 

"Ele [Moro] mesmo, quando chegou aqui como ministro, não tinha nenhuma experiência política. Talvez isso tenha contribuído para alguns deslizes. Hoje em dia, o passado faz parte do passado. Não tenho nada desabonador para criticar o Sérgio Moro ou o Dallagnol, muito pelo contrário", afirmou Bolsonaro.

Outros apoios

Também nesta terça, o presidente Jair Bolsonaro recebeu o apoio do governador reeleito de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). O anúncio foi feito após reunião entre os dois no Palácio da Alvorada – residência oficial da Presidência da República em Brasília.

Na sequência, o candidato do PL se reuniu com o governador reeleito do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL) no Palácio do Planalto – sede do governo na capital federal. Castro reiterou apoio a Bolsonaro no segundo turno.

O candidato do PL, que diz acreditar na reeleição, afirmou também que teve conversas com outros governadores reeleitos – Ronaldo Caiado (União Brasil) em Goiás e Ratinho Junior (PSD) no Paraná.

Bolsonaro disse ainda estar à disposição para conversar com ACM Neto (União Brasil), candidato que disputará o segundo turno da disputa estadual na Bahia contra o petista Jerônimo Rodrigues.

O presidenciável do PL faz nesta terça a primeira viagem da retomada da campanha. Bolsonaro participará de dois encontros religiosos da igreja evangélica Assembleia de Deus na cidade de São Paulo.