A viagem deveria durar somente dois anos, porém Rafael Rodrigo de Almeida, de 39 anos, e Mileide Mossmann, de 35 anos, estão há 4 anos e 5 meses na estrada. O casal iniciou a aventura após perceberem que o trabalho estava dominando completamente a vida deles. Eles saíram de Maracaju, e juntos visitaram 17 países até o momento.

Engenheiro agrônomo, Rafael relata que estava cansado da rotina e das constantes mudanças que fazia devido ao emprego. “A gente tinha uma vida de trabalho muito estressante e decidimos focar mais no lado pessoal. Meu emprego sempre me trouxe muito estresse e a gente vinha mudando de maneira intensa”, diz.

O fascínio em conhecer lugares novos, conforme Milaide, era algo que os dois tinham em comum. “A gente sempre gostou de viajar, começamos a fazer viagens curtas no brasil, compramos barraca, acampamos e fomos tomando gosto. Ele resolveu que a gente ia trocar de vida e em dois meses partimos”, lembra. 

Brucutu é o automóvel e xodó do casal, que viaja desde 2018. (Foto: Arquivo pessoal)

Em março de 2018, os dois deixaram o lar, pegaram a Land Rover apelidada de Brucutu e começaram a percorrer o litoral brasileiro. A vontade de adquirir novas experiências e viverem de forma melhor foram o que motivaram a expedição turística batizada de Land Roots. 

Além das experiências novas, o casal saiu pelo mundo com o propósito de desenvolver um projeto diferente. É o que conta Rafael. “A gente queria conhecer novos lugares, fazer um período sabático, agregar conhecimento e conhecer a agricultura ao longo das Américas. Minha esposa é muito curiosa no ramo gastronômico e começamos a colher informações da culinária local. Isso acabou formando o projeto do campo até a mesa”, destaca.

Após percorrerem o litoral brasileiro, eles iniciaram a expedição internacional. Os países vizinhos do Brasil foram os primeiros destinos onde o casal passou. “Fizemos em seis meses o litoral até conseguirmos ultrapassar o extremo sul no Ushuaia, em 2019”, recorda Rafael. 

 

Juntos, o engenheiro agronômo e a fisioterapeuta conheceram 17 países. (Foto: Arquivo pessoal)

Bolívia e Peru foram outros destinos, sendo que nesse último país a fisioterapeuta aproveitou para fazer um curso de culinária. Milaide comenta como eles fazem para conseguirem recursos. “A gente trabalha por troca. No Peru, fiz sessão de fisioterapia para trocar por hospedagem. Como o pessoal da fazenda acolhe a gente sempre tem coisas para se comer, o que é uma economia grande pra gente”, pontua. 

Apesar de se hospedarem algumas vezes em hotel, o casal garante que Brucutu serve como acomodação. Por essa razão, segundo o engenheiro agrônomo, eles preferem muitas vezes dormir no carro ou em barracas. “Depende do lugar e da segurança que a gente sente. Se a gente tá numa cidade pequena, a gente dorme dentro do carro e se vamos em alguma cachoeira dormimos na barraca”, esclarece.

Em meio a expedição, assim como muitas pessoas, Rafael e Mileide foram pegos de surpresa pela pandemia. Na época, ele fala que era necessário alugar uma residência. “Passamos a pandemia na América Central, foi complicado, tivemos que arrumar um lugar para ficar. Não podíamos ficar na praia, alugamos uma casa no meio do campo e dividimos com um casal de viajantes brasileiros”, diz. 

 

Em junho deste ano, eles conheceram o 'Magic Bus', nos EUA. (Foto: Arquivo pessoal)

No momento, eles estão numa cidade localizada há 15 km de Vancouver no Canadá. "É a primeira vez que estamos nessa parte do Canadá. Vamos cruzar a fronteira dos Estados Unidos nos próximos dias", revela o engenheiro.

Como já fizeram algumas das regiões do país, eles planejam passar pelas que faltaram. “Ficou faltando a costa oeste dos Estados Unidos e assim embarcar de volta para o Brasil, porque não faz sentido voltar dirigindo. A gente é obrigado a colocar o carro no container”, afirma Rafael.

Os aventureiros passaram pelos Estados Unidos, Canadá, Argentina, Peru, México, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Portugal, Costa Rica, Panamá, Colômbia, Equador e outros quatro países. 

No Instagram, viajantes compartilham tudo sobre a expedição. (Foto: Arquivo pessoal)

Com uma nova perspectiva sobre a vida, Milaide diz que aprendeu a importância de valorizar as coisas. “Eu acho que muda muito a cabeça da gente de valorizar o que é simples, o que você consegue fazer e apreciar. Todos os lugares que a gente vai sempre tem uma coisa boa para gente aproveitar. Hoje a nossa troca é muito mais intensa, a gente se doa mais, a gente está muito mais aberto e disponível”, ressalta. 

Rafael completa a resposta da esposa e garante que tudo que aprenderam será levado a diante. “É ser feliz com aquilo que a gente tem, dar valor às pessoas, dedicar um tempo às pessoas que estão próximas. Resgatamos isso na viagem e vamos levar pro futuro. É aquela famosa frase: ‘Você está trabalhando pra viver ou vivendo pra trabalhar o quanto você aproveita da vida?", conclui.

No Instagram, eles fazem um diário sobre a expedição Land Roots. Quem quiser seguir, o perfil é @landroots. Em outra conta, Milaide compartilha as receitas que está aprendendo com o projeto gastronômico, o perfil é @cozinhabrucutu. 

Enquanto viaja, Milaide desenvolve projeto gastronômico. (Foto: Arquivo pessoal)