O banho de sangue não para na linha internacional entre Paraguai e Mato Grosso do Sul, trecho mais violento das fronteiras sul-americanas. Menos de meia hora depois de dois homens serem executados no pátio de um posto de combustíveis, o prefeito de Pedro Juan Caballero José Carlos Acevedo Quevedo, 53, foi alvo de atentado a tiros e está entre a vida e a morte.

A cidade é separada por uma rua de Ponta Porã (MS), Capital do departamento de Amambay, Pedro Juan divide com a vizinha brasileira o título de principal base do crime organizado na fronteira.

Acevedo saía de uma reunião com vereadores na sede da Câmara Municipal localizada em frente ao Palácio da Justiça quando foi atacado a tiros por pistoleiros em um carro branco. Pelo menos 11 tiros de pistola foram disparados. Ferido no pescoço e no rosto, Acevedo foi levado para um hospital particular em estado gravíssimo.

Minutos depois, um carro branco, possivelmente o mesmo usado pelos pistoleiros, foi encontrado em chamas perto da saída de Ponta Porã para Antônio João, mas no lado paraguaio da fronteira. A tática é bastante usada pelo crime organizado para eliminar pistas .

Reeleito em outubro do ano passado, José Carlos Acevedo é filiado ao Partido Liberal e pertence à família tradicional da política fronteiriça. O irmão dele, Ronald Acevedo, é o atual governador de Amambay. Outro irmão, o deputado e ex-senador Robert Acevedo morreu de covid-19, há dois anos.

Poucos dias antes da eleição de outubro, José Carlos Acevedo causou polêmica ao chutar o corpo de um traficante, vítima da chacina com quatro mortes, ocorrida em frente a um centro de eventos de Pedro Juan. Entre os mortos estava a sobrinha dele, filha do governador Ronald Acevedo.