Há sempre duas certezas quando se é anunciada a lista dos 150 aprovados no vestibular do Instituto Tecnológico da Aeronáutica, que recebe 8 mil inscritos e é considerado o mais difícil do país. A primeira é que São Paulo, estado mais populoso do país e sede do ITA, em São José dos Campos, terá um grande número de aprovações. A segunda é que o Ceará será o outro estado com muitos representantes, na maioria das vezes à frente dos paulistas. Assim foi no último concurso, quando dos 150 convocados, 61 vieram do Ceará (40% do total), contra 52 de São Paulo. Desde 2010, essa ordem só foi invertida em 2017, 2019, 2020 e 2021.
O segredo do sucesso cearense no ITA (fundado pelo fortalezense Marechal Casimiro Montenegro Filho) está ligado às escolas e cursos preparatórios voltados para esse vestibular, que atraem alunos do país inteiro. E a valorização das olimpíadas científicas escolares.
Alunos e professores do Ceará consideram um marco dessa trajetória a criação, na década de 1980, de uma turma especial de preparação para os vestibulares do Instituto Militar de Engenharia (IME) e ITA pelo colégio GEO Studio, que hoje já não existe. Em 1992, o Colégio Farias Brito tomou a mesma iniciativa. Hoje, é a escola cearense mais antiga a ter esse foco. O Farias Brito e o Colégio Ari de Sá são as duas principais referências no estado para a prova. A fórmula foi reproduzida em escolas e cursos menores.
Vinha batalhando desde o 8º e o 9º ano — diz Matheus, que pretende seguir a carreira de engenheiro aeroespacial. — Antes de chegar a Fortaleza, era muito difícil continuar estudando, sozinho e em casa, principalmente durante a pandemia, enquanto meus amigos já estavam começando a trabalhar. Era angustiante olhar um livro enquanto estava solitário. Eu estudava para olimpíadas (de Matemática, Física e Química) mas não tinha nenhuma escola com foco nessas competições em minha cidade.
Diretor de ensino do Farias Brito, Marcelo Pena credita os números expressivos de aprovação à longevidade do trabalho do colégio.
Temos 1.554 aprovações no ITA. Ao longo desses anos, ganhamos um aprendizado muito grande. Tantos os professores quanto a instituição e o material didático foram aprimorados. Temos muitos professores que também eram “ex-olímpicos” que hoje conhecem bem a prova.
Para Pena, além do tempo, outros dois fatores foram essenciais: a implementação, em 2010, da turma preparatória já a partir do 1º ano, com as cargas horárias das aulas de matemática, física e química passando a ser maiores do que as demais disciplinas obrigatórias. E a valorização das olimpíadas científicas. Muitos vencedores dessas competições em todo o país são “garimpados” e recebem bolsas em instituições cearenses.





