O depoimento a Polícia Civil da mulher que foi feita refém pelo próprio marido, o pastor Jesus Gorgs, de 40 anos, nesta quinta-feira (12), no bairro Giocondo Orsi, em Campo Grande, aponta que a cada rompante de raiva, ele cortava seus cabelos e roupas, com a intenção de deixá-la nua. Ele filmava a agressão e transmitia o vídeo por uma rede social.
O site tentou entrar em contato com a defesa do pastor, mas até a mais recente atualização da matéria não conseguiu.
Segundo a delegada Maíra Pacheco Machado, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), o pastor imaginava que estava sendo traído pela esposa e a teria a agredido e feito o vídeo para expô-la e humilhá-la, para que ela confessasse uma traição que não existiu.
A delegada disse que as agressões a vítima começaram por volta das 8h, quando ela se arrumava para ir trabalhar. O pastor trancou a porta do quarto do casal, tirou o celular dela e começou a cortar seus cabelos e roupas.
Maíra diz que um casal de amigos que estava na casa percebeu a situação e tentou conversar com o pastor, mas ele se mostrou irredutível, então eles ligaram para a Polícia Militar. Além da PM, a DEAM foi acionada por uma pessoa que viu a transmissão do vídeo na rede social. A unidade acionou o Serviço de Investigações Gerais (SIG) da Polícia Civil e comunicou ao Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops).

Quando os policiais da DEAM chegaram a casa, o Batalhão de Operações Especiais (BOPE), da PM já estava no local, junto com o Corpo de Bombeiros. Conforme a delegada, o pastor estava alterado e violento. Ele ameaçava o tempo todo matar a vítima e em seguida se matar.
Após negociação, policiais do BOPE fizeram uma entrada tática no local e prenderam o pastor, libertando a refém.

A vítima foi levada para um hospital e na madrugada desta sexta-feira (13) foi até a delegacia prestar depoimento.
Já o suspeito foi preso em flagrante e encaminhado para a DEAM. Ele passou por audiência de custódia também nesta sexta onde foi decretada sua prisão preventiva.

“Na noite anterior ao crime, a vítima disse que eles tinham ido em uma festa e que estava tudo bem. Ai no outro dia cedo, quando ela se arrumava para ir ao trabalho, ele a trancou no quarto e começou a agredi-la”, comenta a delegada.
Maíra disse que em seu depoimento o pastor, com a Bíblia na mão, negou o crime. Segundo ela, o suspeito culpou a própria esposa pelas agressões e pelo vídeo. Alegou ainda que a mulher o havia dopado para que ele fizesse isso.
A delegada disse que o vídeo com as agressões foi encaminhado para a perícia e que o seu teor vai para os autos do processo. Ela apontou que o pastor só tinha um antecedente criminal. Ele respondeu em 2009 por porte ilegal de armas.
Maíra aponta que está estudando se vai mudar a tipificação de um dos crimes do suspeito, de lesão corporal para tortura, em razão da violência e do teor das agressões. Ela aponta, que além disso, o pastor vai responder também pelos crimes de cárcere privado, ameaça, divulgação de cenas pornográficas e registro não autorizado da intimidade sexual.
 

Depoimentos
 
No depoimento, a mulher do suspeito, que também é pastora e tem 55 anos, disse que o casal já vivia junto há cinco anos e que neste período nunca houve um desentendimento grave e nenhuma agressão por parte dele. Lembrou, no entanto, que o pastor tomava medicamento de uso controlado para a depressão.
A mulher disse que a situação começou a mudar em janeiro deste ano, quando ela fez uma cirurgia plástica estética. Conforme a vítima, desde a operação, quando ela decidiu investir na melhoria de sua autoestima, o marido começou a ficar mais agressivo.

 

Nota de Repúdio da IEADMS

A Igreja Evangélica Assembléia de Deus Mato Grosso do Sul, repudia com veemência e não tolera de maneira nenhuma, as atitudes e atos criminosos, do cidadão Jesus Gorgs. Como uma instituição séria e debaixo da direção de Deus e da sua Palavra, condenamos com todas as forças, atitudes que atingem a integridade física e a honra de qualquer mulher, assim como foi feito neste terrível episódio.

Como já foi expresso por outros meios, a Igreja já tomou suas medidas eclesiásticas e administrativas cabíveis a este cidadão, o excluindo do seu rol de membros. A cima de tudo queremos manifestar o nosso apoio incondicional a Irmã, que foi feita de vítima em toda esta situação, a Igreja de igual forma esta se empenhando em cuidar e amparar, dando todo o suporte necessário, da maneira em que nos é cabido como instituição religiosa.

Deus é Justo e Santo, e sua Santidade e Justiça é perfeita!

Igreja Evangélica Assembléia de Deus de Mato Grosso do Sul

Tesoura usada no crime