Com o enfraquecimento da produção de cana-de-açúcar em todo o Nordeste nas últimas décadas, a agricultura familiar ganhou espaço. Em Pernambuco ela é praticada por mais de 230 mil famílias e pode ser vista até mesmo na beirada das rodovias. Esse é o caso do projeto Hortas Comunitárias, parceria entre o Ceasa, a ONG Pedra D’Água e Universidade Rural de Pernambuco. O décimo episódio da segunda temporada da série Agronomia Sustentável foi a Recife conhecer essa história e muitas outras.

Ainda que a prática da agricultura familiar seja antiga, ela só foi regulamentada no Brasil em 2006, com a lei federal 11.326. De acordo com o documento, agricultura familiar é a atividade desempenhada em estabelecimento de pequeno porte com gestão estritamente familiar e mão de obra realizada predominantemente nesse molde.

Segundo o último censo agropecuário produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2017, o Brasil possui 5.073 milhões de estabelecimentos rurais. Desses, 3.897.408 são unidades de proteção familiar. Pernambuco possui 232.611, representando quase 52% da área do estado.

Presença do agrônomo
É importante destacar que por traz da agricultura familiar, também está o trabalho do engenheiro agrônomo que, neste caso, é chamado de extensionista rural, como Claudio Dias, que tem mestrado em melhoramento genético de plantas e atende mais de 100 famílias na região da Lagoa do Carro, próximo a Recife. “Eu não fui criado em ambiente rural, mas sempre me senti atraído pelo meio. A extensão em melhoramento genético possibilita trazer o conhecimento que adquirimos no universo universitário e também de pesquisa para quem de fato precisa. É um trabalho que rende bem, que dá bons frutos”, destaca.

Além de ensinar práticas importantes de produção para as famílias da região, ele ensina o beneficiamento, agregando ainda mais valor às culturas de cada propriedade, além de instruir sobre novas produções. “Conseguimos observar o que existe de carência e ver o que há de vocação, tanto da família quanto da região que eles habitam, o que oferece, tentar agregar valor ao que eles têm. Para mim é basicamente observar e transmitir”.

As produções dos pequenos produtores, como hortaliças e lavouras de milho, batata, feijão e frutas vão para creches, escolas e feiras da região. O estado de Pernambuco perde apenas para São Paulo em número de feiras agroecológicas, com 120 no total.

Agricultura: mudanças no termo
Cícera Nunes da Cruz, presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais e Agricultores Familiares do Estado de Pernambuco (Fetape) explica nesse episódio os projetos especificamente para as mulheres – desenvolvidos pela entidade. “Temos hoje em Pernambuco mais de 70% dos alimentos na mesa das pessoas proveniente da agricultura familiar”, exalta.

Segundo ela, o termo pequeno produtor não se encaixa devidamente a esses agricultores, visto a quantidade de pessoas que alimentam em todo o Brasil e pelos altos índices de sustentabilidade envolvidos na produção. “A alimentação saudável agroecológica cuida da terra, das pessoas, da afetividade, da natureza e de todos que compõem o sistema natural”.

Em conjunto com outros setores da agropecuária, a agricultura familiar foi o setor econômico de maior destaque no aumento de 2% do Produto Interno Bruto de Pernambuco de 2017 em relação a 2016.

O que também se destaca com força no estado são as atividades relacionadas à aquicultura. “A piscicultura vem em uma crescente desde os anos 2000, principalmente na criação de tilápias.  Atualmente o Brasil é o quarto maior produtor do mundo desse tipo de peixe. Essa atividade desenvolveu-se bastante no estado, principalmente no sertão de Itaparica, onde temos o grande polo produtor de tilápia em tanques-rede”, destaca o engenheiro de pesca João Paulo Viana.

O detalhamento de todas essas histórias e outros conteúdos você encontra no episódio completo do Agronomia Sustentável, uma parceria do Canal Rural com o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), os Conselhos Regionais (Creas) e Organização das Cooperativas Brasileiras.