Após manifestações no feriado de 7 de setembro com a presença do presidente da República, Jair Bolsonaro, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), fez um pronunciamento em resposta ao mandatário. Pacheco afirmou que a crise vivida no Brasil é real e que "a solução não está no autoritarismo".

"Não está nos arroubos antidemocráticos, não está em questionar a democracia. Essa solução está na maturidade política dos poderes constituídos de se entenderem, de buscarem as convergências para aquilo que verdadeiramente interessa ao brasileiros", afirmou. Na última terça-feira (7), Bolsonaro participou de duas manifestações pró-governo em Brasília e em São Paulo. Nos dois lugares, fez discursos de ataque ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Bolsonaro afirmou que descumpriria ordens judiciais, ao falar do STF, e disse que "ou o chefe desse Poder enquadra os seus, ou esse Poder pode sofrer aquilo que não queremos". Nesta quarta, o presidente do Supremo, Luiz Fux, fez um discurso duro, dizendo que descumprir ordem judicial é crime de responsabilidade e que "ninguém fechará a Corte".

Pacheco começou o seu discurso dizendo que na última terça, "muitos brasileiros foram às ruas", mas que "outros milhares não foram". O presidente ressaltou que existe um ponto em comum entre todos os brasileiros. "Nós vivemos num país em crise. Uma crise real, de fome, de miséria, que bate à porta dos brasileiros, sacrificando a dignidade das pessoas; de inflação, com a perda do poder de compra dos brasileiros, as coisas estão mais caras; a crise od desemprego, a crise energética, a crise hídrica, uma pandemia que entristeceu muito o país", afirmou.

O presidente do Congresso frisou que "é uma crise real" e que é preciso dar solução a ela. "Por isso, é fundamental, e a gente deve trabalhar muito por isso, que os Poderes sentem à mesa, se organizem, se respeitem, cada qual cumpra o seu papel respeitando o papel do outro e busque uma harmonia que vai significar na solução do problema das pessoas. Não é com excessos, não é com radicalismo, não é com extremismo. É com diálogo e respeito à Constituição que nós vamos conseguir resolver o problema dos brasileiros. É isso que os brasileiros esperam de Brasília e dos Poderes Constituídos", frisou.