Empresário do ramo da beleza em região nobre de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, João Franco sofre com a queda abrupta no faturamento do seu negócio. Para quem trabalhava com cerca de 70 clientes por dia, o caminho, desde março de 2020, tem sido adequar o orçamento e atender em domicílio.

Em São Paulo, estado mais rico da federação, os profissionais seguem os protocolos sanitários do Plano SP de contenção à covid-19, enquanto aguardam a flexibilização da fase de transição anunciada na última sexta-feira.

“A conta não fecha, o custo na pandemia aumentou muito e a gente está sofrendo com a queda financeira. O que entra ajuda, mas é muito pouco”, afirmou o empresário, que era dono de três salões, mas dois deles foram fechados definitivamente por causa da crise e a consequência imediata foi a demissão de dezenas de funcionários.

 Há 22 anos no setor, João já chegou a receber em seus três salões – um especializado em noivas, outro em maquiagens e o terceiro em cabelos –artistas como Mc Mirella e a atriz Livia Inhudes, que atuou na novela Chiquititas.

“Eu tenho esperança de que o ramo da beleza volte a crescer a partir do segundo semestre deste ano", disse o empresário.

 

Ele não está sozinho, conforme indicam os dados ABSB (Associação Brasileira de Salões de Beleza). Cerca de 47% desses profissionais declararam ter muita dificuldade para manter o empreendimento de pé e 5% já baixaram as portas de vez. Ainda segundo as estimativas da entidade, mais de 375 mil salões de beleza no país já foram à falência desde o começo da pandemia.  

Sofrem os grandes, sofrem os pequenos
Cabeleireira informal há mais de 12 anos na comunidade Santa Cruz, em Guarulhos, Elenice Souza também foi afetada em cheio com as consequências econômicas decorrentes da pandemia. Tendo como carro-chefe os alisamentos sem formol, ela também recorreu ao atendimento domiciliar e lançou mão da criatividade para sobreviver.

“Tive um respiro por causa do auxílio emergencial. Mas eu fui além, me reinventei e adotei planos mensais de tratamento capilar para atrair mais clientes”, contou a autônoma. "Sabendo das dificuldades financeiras das minhas clientes, tive essa brilhante ideia", completou, orgulhosa.

Retomada
O presidente da ABSB (Associação Brasileira do Salões de Beleza), José Augusto Nascimento Santos, afirma que a área de beleza não está sendo tratada na profundidade necessária para uma cadeia econômica complexa.

“As atividades do setor, ainda que consideradas essenciais à saúde, estão sendo tratadas de forma superficial e prejudicando a coletividades de consumidores que dependem de tratamentos como de podologia, massagem pós cirúrgicas, terapias capilares etc.”

O dirigente faz menção ao decreto nº 10.344, baixado pelo presidente Jair Bolsonaro em 11 de maio de 2020, que colocou os salões de beleza e barbearias no rol de atividades consideradas essenciais à economia. Porém, o STF (Supremo Tribunal Federal) já tinha considerado, e reafirmou neste ano, que estados e municípios podem definir suas próprias regras, incluindo classificação de serviços essenciais.

 
 
Elenice é cabeleireira informal e segurou clientes com planos de fidelização
SARA SANTOS/R7 - 08.04.2021
Em São Paulo, na fase vermelha, que durou até este sábado (17), os profissionais que atendem em domicílio, caso dos ligados ao setor de beleza, estão autorizados a exercer suas funções com uso de máscara e utilização do álcool gel.

Mas conforme reclassificação do Plano São Paulo da última sexta-feira (16) que começa neste domingo (18), os salões de beleza e barbearias poderão voltar a funcionar a partir de 24 de abril. Até 30 de abril, os atendimentos estarão liberados das 11h às 19h com capacidade de ocupação permitida de 25%. É o que o governo do estado classificou de fase de transição para a etapa laranja do plano.