Assim que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco deu fim à polêmica em torno da CPI da Pandemia e deu início à formação da comissão, no final desta tarde, uma nova disputa começou entre governo e oposição.   

A briga agora é em torno da indicação dos membros da CPI. Parlamentares da base governista consideram que o fato de estarem em minoria, com cinco dos 11 titulares, contra seis já atribuídas aos oposicionistas, torna o governo mais suscetível. Por isso, calculam que a presença na CPI será uma forte moeda de troca pela liberação de recursos e nomeação de apadrinhados para cargos no governo. 

Nas últimas horas, eles vêm disputando ferrenhamente quem vai integrar a comissão. A briga esta mais acirrada no bloco composto pelo Democratas, PL e PSC, autodenominado "Bloco Vanguarda". O bloco tem direito a indicar dois titulares e um suplente na CPI. Um deles deve ser o senador Marcos Rogério, lider do partido e bolsonarista. Mas Davi Alcolumbre, ex-presidente do Senado que é do DEM, quer entrar na outra vaga, deixando o PL e o PSC sem representação.

Na sessão desta tarde, Pacheco deu aos partidos 10 dias para indicarem seus nomes. Espera-se, porém, que até amanhã todas as legendas já tenham decidido quem vai estar na comissão. 

Outra discussão que já está em curso é sobre quem será o presidente e quem vai ser o relator da CPI. Por tradição, quem assina o requerimento de instalação da CPI costuma presidir a comissão. 

O autor do pedido da CPI da Pandemia é Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Mas essa indicação não é obrigatória, e por isso existe uma discussão sobre a conveniência de o tucano Tasso Jereissatti (PSDB-CE), mais experiente e considerado mais moderado do que Randolfe, possa assumir o comando. Otto Alencar (PSD-BA), do grupo dos independentes/oposicionistas, também gostaria de assumir o cargo.

O favorito para a relatoria, por sua vez, é Renan Calheiros (MDB-AL).

Os senadores já escolhidos para fazer parte da CPI da Pandemia até agora são: Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Humberto Costa (PT-PE), Tasso Jereissati (PSDB-CE), Renan Calheiros (MDB-AL), Eduardo Braga (MDB-AM) e Otto Alencar (PSD-BA), pela oposição. Do lado governista, Ciro Nogueira (PP-PI), Eduardo Girão (Podemos-CE), Marcos Rogério (DEM-RO) e Omar Aziz (Podemos-AM).