Ao avaliar a criação da nova modalidade de crédito, o CRA Garantido, o economista-chefe da Federação de Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), diz que a medida pode ser uma alternativa capaz de contribuir para o crescimento do agro.

’O crédito oficial ajudou muito os produtores até aqui. No entanto, ele não serve mais ajudar a agricultura a chegar onde queremos chegar. Sem mecanismos oficiais, a medida anunciada pelo ministério da Agricultura é uma alternativa. Trabalhamos na criação dessa nova modalidade há um ano’’, destaca da Luz.

Ainda de acordo com o economista da Farsul, o CRA Garantido dá a possibilidade dos produtores de renegociarem dívidas fora do sistema bancário. ‘’A operação feita na Cotrijal trata-se de uma renegociação da safra passada. É um modelo que pode ser feito em cooperativas, revendas de insumos, cerealistas e todos os agentes que queiram financiar o produtor rural’’, reforça.

 

Alexandre Garcia: Agro é fundamental na pandemia e não merecia cortes no Orçamento

“Quem cortou o Orçamento do agro não entendeu qual o papel do setor neste momento de pandemia”, afirma o comentarista Alexandre Garcia. O jornalista lembra que, do valor esperado de R$ 10,3 bilhões que seriam utilizados para crédito e seguro rural, bem como para apoio à comercialização da safra, foram cortados R$ 2,75 milhões no texto aprovado pelo Congresso Nacional para Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2021. O presidente Jair Bolsonaro tem até 22 de abril para sancionar a proposta.

Garcia afirma que parece ser inexplicável propor esses cortes quando o agro é tão fundamental para a economia. “É a segurança alimentar do país, que evita problemas sociais, é o equilíbrio das contas externas, que pelo menos dá um apoio no PIB brasileiro, que tem sofrido tanto. O agro segurou o PIB brasileiro, segurou as contas externas, no balanço de pagamentos, na balança comercial. Será que o agro merece esse corte?”, indaga.

De acordo com o comentarista, poderia haver mais cortes onde há gordura. “Que é o tamanho do Estado brasileiro, que está muito pesado para prestar bons serviços públicos para a nação, para o pagador de imposto, para o eleitor e para aquele que produz alimento”, diz. “E o aumento da produção não é simplesmente o aumento, é aumento de tecnologia. Só tem mérito no trabalho do agro, e com todo esse mérito, não merecia esses cortes”, finaliza.