Uma denúncia do MPE (Ministério Público Estadual) em Alagoas, atingiu um braço do PCC (Primeiro Comando da Capital) em Nova Andradina, Taquarussu e outros membros no Estado de Mato Grosso do Sul, nas cidades de Campo Grande, Dourados, Três Lagoas, Ponta Porã, São Gabriel do Oeste, Bandeirantes e Corumbá. O pedido foi protocolado na 17ª Vara Criminal de Maceió no último dia 15 de março.

A ação criminal é continuidade da Operação Flash Back iniciada em 19 de abril de 2019 e deflagrada em novembro do mesmo ano, numa megaoperação policial integrada que cumpriu mais de 100 mandados de prisão em Alagoas e simultaneamente nos estados de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, São Paulo, Tocantins e Sergipe.

 

Em Mato Grosso do Sul, a operação cumpriu 18 mandados de prisão preventiva, as quais a maioria dos suspeitos já estavam presos. Em Nova Andradina, o cumprimento foi em cima do Antônio Marcos dos Santos da Silva, de 32 anos, conhecido como “Da Leste ou Coiote”, ele está preso na Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado da Gameleira II. 
Da Leste já teria sido excluído dos quadros da organização por ter sido enquadrado no quesito “mau exemplo” e foi novamente reinscrito mais recentemente. A sua atual função detectada foi a de Disciplina, na qual recaem responsabilidade ligadas às questões disciplinares surgidas entre os próprios faccionados ou mesmo dar solução a querelas locais envolvendo a comunidade na qual ele atua.

 

Em Taquarussu, atingiu Junior Cesar Figueiredo Santos, de 22 anos, conhecido como “Antony Miguel”. A investigação observou que Junior atuava ativamente como “Apoio do Resumo”, que é uma das mais alta hierarquias disciplinares do PCC. Ele foi batizado há mais de três anos, pouco antes de ser preso pela última vez. No cárcere, Antony ascendeu rapidamente à função de “Apoio do Resumo”, destacando-se como um dedicado integrante do PCC.

 

Sua esposa também é componente e líder no PCC paranaense, de codinome Lívia, dentre outros, com o qual tratava corriqueiramente de assuntos da administração nacional da organização, assim como de assuntos particulares que propiciaram a sua individualização. Antony coordenou ativamente diversos tribunais do crime e fazia questão de acompanhar a severa aplicação dos castigos disciplinares impostos a diversos indivíduos. Antony demonstrou ter confiança dos escalões superiores da organização, inclusive com autoridade para tratar de alianças e de acordos de boa convivência com outras facções brasileiras.

“Para corroborar os demais elementos contidos no arsenal probatório, inclui-se conversas pontuais, as quais não esgotam o conteúdo de inteligência”, diz trecho da denúncia.

 

Dourados a Operação chegou até Luan Ávila Santana, de 21 anos, vulgo “Vavá/Jeba ou Bruno”, Michel Farias dos Reis, de 32 anos, vulgo “Revoltado ou Ares Eduardo” e Rui Ederson da Silva Fernandes, de 37 anos, vulgo “Dimas/Veloster ou Serjão”.

 

Em Campo Grande, Gilberto Lopes de Moura, de 46 anos, vulgo “Lenda Viva ou Pé de Ferro”, Igor Ruan Evangelista Celestino, de 24 anos, vulgo “Amoroso ou Mormai, Tales Valensuela Gonçalves, de 24 anos, vulgo “Pesadelo”, Iago Gustavo Ribeiro Bronzoni, de 21 anos, vulgo “Taurus Rodolfinho”, Weverton da Silva Viana, de 27 anos, vulgo “Tranca Rua” e Alvino Sabino Pacheco Neto, de 35 anos, alcunha “Malta ou Alemão”.  

 

Já em Três Lagoas, foram denunciados Luan Pereira Batista, de 24 anos, vulgo “Igner”, Gilberto José da Silva, de 28 anos, vulgo “Carroça” e Gustavo Ramires Franco, de 29 anos, de alcunha “Parma ou Farma”.

 

Em Ponta Porã, Ricardo Brum, de 37 anos, de alcunha “Anjo da Morte”, em São Gabriel do Oste, Marcelo Carlos do Carmo, de 28 anos, vulgo “Caio ou Zé Felipe”, em Bandeirantes, Edineia dos Santos Rocha, de 47 anos, conhecida como “Catréia” e, em Corumbá, Roselayne Pereira da Silva, de 29 anos, de alcunha “Rose”.
 
Segundo a denúncia, por meio de interceptação telefônica, entre dezembro de 2019 a julho do ano passado, que, em Alagoas, assim como em outros estados, os membros da facção criminosa se comunicavam majoritariamente por meio de telefones, os chamados “linhas vermelhas”, inclusive membros que se encontram reclusos no sistema prisional o que fazem através de aparelhos inseridos ilegalmente, sendo o terminal telefônico um dos canais mais importantes de comunicação, pois, por meio de conferências, seus membros promovem reuniões que abrangem lideranças em todo o território nacional.

A denúncia aponta uma investigação que monitora crimes de justiçamento, sequestros, assaltos e tráficos de drogas promovidos por integrantes do grupo organizado que atua nacionalmente.

 

Ainda segundo a denúncia do MPE em Alagoas, os membros possuem funções de acordo com a hierarquia da facção, onde os faccionados de superioridade hierárquica se destacam entre os demais, e possuem perfis específicos de personalidade, tendo estes, geralmente, mais antiguidade da facção e habilidade em lidar com pessoas e grupos.

 

Durante as conferências, os “gerais” reforçam atitudes de subordinação dos demais faccionados, cobram união e disciplina, motivam os membros a serem fiéis ao PCC e exortam atitudes “positivas” e fortalecedoras para ao mundo do crime, mantendo assim, uma rede de relacionamento sistemático dos membros presos e em liberdade, com o objetivo de administrar as necessidades da facção em Alagoas e demais estados da Federação. Um ponto de destaque na facção são integrantes do sexo feminino, que vem crescendo em número e participação dentro do PCC.
 
A denúncia traz também como um de blindar e descentralizar o poder, algumas das lideranças atuantes do Estado de Alagoas estão concentradas em presídios de outros Estados da Federação, indivíduos reclusos no sistema prisional de Mato Grosso do Sul, Paraná e Ceará, assumem funções, deliberam e controlam grande parte das ações no quadro do PCC em Alagoas. Essa descentralização se repete em outros Estados, sendo como exemplo: alvos que residem no Estado de Alagoas e assumem funções no quadro do PCC de Sergipe.

 

Hoje, o PCC volta sua atenção para a conquista de territórios dentro e fora do sistema prisional, articulando diversos ataques às facções rivais, sendo o CV (Comando Vermelho) o seu principal alvo. Nas conferências, diversos “serviços” são realizados desde a contagem da quantidade de faccionados, dados estatísticos do crescimento da facção, elaboração de planilhas contendo notificações diárias, semanais e mensais das ações do PCC, batismos, cadastramentos, remanejamentos de membros em funções de liderança, levantamentos para identificar quantidade de “quebradas” no Estado, manutenção do controle disciplinar, controle do tráfico de drogas nas “lojinhas” (pontos de tráfico dominados pela facção), controle de locais de armazenamento das armas de fogo que pertencem a facção, os tribunais do crime. Esses são exemplos de ações diárias desenvolvidas pelos líderes do PCC, que além de manter a comunicação através da “linha vermelha”, utilizam também aplicativos de mensagens – principalmente WhatsApp –, na tentativa de dificultar a identificação dos crime atrelados a facção.

De acordo com o MPE, atualmente o PCC alagoano, encontra-se enfraquecido e desestruturado devido as ações de segurança pública voltada ao combate as Orcrim’s (Organizações Criminosas), no entanto, os esforços das lideranças nacionais da facção em manter-se no comando do crime em Alagoas não cessam.

Por fim, as ações da “Operação Flash Back II” ocorreram em 10 estados, contemplando 51 municípios. Ao todo, foram 106 denunciados.